Menino ou menina: quem paga a conta da balada?

De vez em quando algum garoto reclama comigo que a namorada, sempre tão moderninha e independente, esquece sorrindo os avanços feministas na hora de dividir a conta da balada. E esse é só um dos problemas. O dinheiro pode atrapalhar o amor, roendo, devagarinho, o romantismo das melhores relações. De todas as intimidades que um casal compartilha a que envolve dinheiro provoca as maiores discussões, causa os maiores ressentimentos e cria as piores confusões. E olha que do namoro até o casamento falar sobre dinheiro com o parceiro(a) não vai ficando mais fácil. Ao contrário, se o casal não se cuida e presta atenção de verdade à situação, o meio-de-campo vai ficando cada vez mais e mais embolado. Até o dia em que, infelizmente, o divórcio bate à porta.

Falar sobre grana, com clareza e desde o início do namoro, é sempre o meu conselho. Não há razão para se deixar enredar em confusões financeiras por vergonha boba de tocar no assunto. Com jeito, com charme, abra o jogo. Mas, antes de conversar com o grande amor da sua vida, pense sobre como você mesmo lida com esse assunto. Conhecendo suas próprias inseguranças e preconceitos sobre a relação amor/ grana vai ser muito mais fácil entender o ponto de vista de seu parceiro(a). Algumas perguntas que podem lhe ajudar a ajustar o foco nesse assuntinho problemático:

1. Quem costuma pagar a conta?
2. Como vocês chegaram a esse acordo? Vocês conversaram sobre isso?
3. Você se sente confortável com a idéia de falar sobre dividir as despesas com seu namorado(a)?
4. Você se sente confortável dividindo as despesas com amigos do mesmo sexo?
5. Você realmente acha justo a menina rachar a conta?
6. Acha justo o menino sempre morrer com a conta?
7. Quem você acha que entende mais de dinheiro: homem ou mulher? Por quê?
8. Quem entende mais de grana em sua família: seu pai ou sua mãe? Por quê?
9. Do ponto de vista financeiro, você gostaria de ter um casamento semelhante ao de seus pais? Por quê?

Várias regras de etiqueta - financeira, inclusive- foram atropeladas com a corrida feminina ao mercado de trabalho. E o foram sem que nada surgisse no lugar. É preciso, então, inventá-las. Por isso, propor dividir os gastos, na medida das possibilidades de cada um dos parceiros, não pode continuar sendo visto como grosseria, como muita gente, disfarçadamente, ainda pensa. Dividir as contas deve ser compreendido como novo modelo para as relações baseadas no bom senso, respeito mútuo e construção de uma intimidade inteligente. Se sua namorada, ou namorado, não topa viver nesse mundo, talvez seja melhor trocar de namorada(o). Porque trocar de mundo, sei não, é muito mais complicado.

Ilustração: Jacques-Emile Blanche, pintor francês (1861-1942).