Dinheiro como presente

Embora as crianças também sejam vítimas eventuais, a cômoda tentação de presentear os filhos com dinheiro acomete com mais frequência os adultos que cercam os adolescentes. Mesmo que se compreenda que nem sempre é fácil agradar adolescentes, ainda assim, não me parece que presentear com dinheiro seja uma boa ideia.

Digo isso porque, acima de tudo, os presentes devem ser compreendidos como uma demonstração do afeto que sentimos por aqueles a quem presenteamos. E afeto não tem nada a ver com dinheiro. Afeto tem a ver é com a nossa capacidade de observar e perceber os sentimentos e os interesses de quem amamos.

Eventualmente acontece das crianças e adolescentes serem, eles mesmos, porta-vozes da preferência pelo dinheiro como presente. Neste caso, é preciso checar a razão do pedido. Não é improvável, por exemplo, que a quantia que esta criança ou adolescente venha recebendo para seus gastos seja tão diminuta que, não permitindo aquisições um pouquinho mais robustas, torne inevitável o pedido de uma “vaquinha” que supra o raquitismo da mesada. Em casos assim, antes de simplesmente enfiar a mão no bolso, convêm que os pais confiram a quantas anda o mercado das mesadas. Promovendo-se um benchmarking com pais de renda semelhante, fica fácil corrigir o valor da mesada.

Não sendo esta a razão do pedido, é preciso considerar, então, outra hipótese. Será que a atenção que os filhos estão dando ao dinheiro não se tornou excessiva? Crianças ou adolescentes que falam todo o tempo sobre dinheiro- obcecadas pelo assunto- estão sinalizando que alguma coisa não vai bem na forma como o tema está sendo encaminhado. Nesta circunstância, os pais devem tratar de corrigir esse desvio sem demora. Para isso importará os pais ensinem às crias, por exemplo, que muito mais importante que o dinheiro, interessa o sentimento de quem presenteia.

Por fim, com relação aos familiares, antes de destinarem qualquer quantia à criança ou adolescente, devem sempre ter a elegância de pedir a autorização e consultar os pais sobre a conveniência da quantia a ser dada.

Foto: Sidinei Lopes