Meu dinheiro não nasce em árvore

Desabafo clássico nas fases em que poder aquisitivo das famílias está em baixa, não há quem já não tenha dito ou ouvido a frase que dá título a este post. Basta uma crise qualquer rondar o contracheque, para que a gente comece a se perguntar como foi que nossas crias se tornaram pessoas tão consumistas, egoístas, com tamanha desconsideração pelo valor do nosso trabalho.

Inflamados por essa falsa percepção, é apenas quando o calo das finanças aperta que nos lembramos de educar os filhos sobre o valor do dinheiro. Naturalmente, dadas as condições de tensão, quase sempre isso acontece da pior forma possível, com as imprecações usuais: “Já passou da hora de vocês aprenderem a dar valor ao dinheiro!”, “Eu me mato de trabalhar e vocês só se preocupam em gastar” ou Ninguém dá valor a nada nessa casa!”. Nessa toada, ladeira abaixo, vamos amontoando angústia, inconformismo, e, claro, muitos dedos em riste. As crianças, surpreendidas pela ira pedagógica que nos acomete, sem fazer idéia da razão do nosso surto, de olhos arregalados , sem murmurar palavra, engolem a bronca.

É claro que se nossos filhos se comportam como se dinheiro nascesse em árvore, é porque alguém se esqueceu de orientá-los sobre isso. A sorte é que é sempre tempo de correr atrás do prejuízo e tentar consertar esse imbróglio. Na prática funciona muito bem incentivar as crias a construir uma poupança. Para isso é fundamental provocá-los a que encontrem objetivos de curto prazo. A razão é simples: é muito mais fácil adiar o desejo de consumir quando se consegue planejar melhores destinos para a grana.

Assim, se eles planejam passar as férias em um acampamento, por exemplo, precisam desde já ir menos vezes ao shopping com os amigos. Planos de poupança para o curto prazo ajudam a desenvolver em nossos filhos responsabilidade sobre os próprios desejos. E, além disso, colaboram para que as crias aprendam a definir estratégias que transformem seus planos em realidade. Tudo isso é parte da educação financeira e, não por acaso, lições como essas serão úteis para a vida inteira.

Foto: Sidinei Lopes