Além da mesada

É comum encontrar pais que não sem sentem confortáveis com a ideia de concederem alguma forma de mesada aos filhos. De fato, cá entre nós, essa tal de mesada pode ser mesmo bem enjoadinha. Para principio de conversa é preciso que os pais não se esqueçam da data certa da entrega do dinheiro, nem de sacá-lo em notas menos graúdas. Parece fácil. Mas, no todo dia, semana após semana, não é difícil que a memória da gente escorregue na preguiça ou correria. A dúvida que esses mesmos pais se colocam, no entanto, é a seguinte: como ensinar meu filho a lidar com dinheiro se ele não recebe mesada?

Antes de mais nada, é preciso não perder de vista que o exemplo dos pais constitui a principal influência em relação ao modo como os filhos lidam com o dinheiro. Isso não quer dizer que o destino dos filhos seja repetir o mesmo padrão dos pais. Esse não é um processo que se dá de maneira tão mecânica. Mas é preciso admitir que a maneira como traduzimos o mundo - nossas atitudes e noção de valores- ficam marcados em nossos filhos de maneira que os anos não podem eliminar.

Neste sentido, é possível convocar as crianças a participarem da elaboração da lista de supermercado. Mesmo as muito pequenas- por volta dos três anos- podem ser convidadas a colaborar. Basta deixá-las responsáveis pela verificação da necessidade de compra de alguns produtos. Enquanto assistem aos pais preparando a lista, devem ser solicitadas a averiguar na despensa a necessidade de compras de sabonetes, por exemplo. Feita a checagem, e uma vez que recebam da cria a solicitação de inclusão do produto na lista, os pais devem torná-la responsável pela incorporação de determinado número de sabonetes ao carrinho de compras.

São iniciativas deste tipo que ensinam aos filhos, na prática, a importância do planejamento familiar.